Momentos & Desabafos

“Se você vomita, azeda tudo em volta. Se você engole, azeda tudo dentro” - J.A. Gaiarsa.

24/5/08

Chega de saudade!

Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti…
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?
Quintana

 

Já tive alguns amores na minha vida. Mas Amar de verdade acho que só amei uma vez. Tive um "amor da minha vida". Com ele vivi tudo que o amor e o desamor podem proporcionar a uma pessoa. Alegria, amizade, paixão, aventura, tristeza, dor, sofrimento, perdão. Pra ele eu me entreguei de verdade, fiz o melhor que eu pude, sonhei, fiz planos, acreditei que seria para sempre. Só cometi um erro: esqueci de perguntar se eu fazia parte dos sonhos e se eu estava nos planos dele também. Pouco antes de terminar, tive algumas mostras de que eu estava sonhando sozinha. E foi então que eu descobri que a vida não é como a gente planeja, como a gente espera que ela seja.

Às vezes a gente ama tanto uma pessoa e acaba esquecendo que isso não basta. É preciso mais. Sozinho ninguém vive uma linda história de amor pro resto da vida. Na verdade, a história foi minha. Eu vivi intensamente tudo aquilo. Eu vivi uma linda história, mas sem happy end, diferente dos filmes de romance. Acreditei na gente enquanto casal e esqueci que ele tinha outros planos. Hoje, vendo o que aconteceu da vida dele também, vejo que ele tinha os mesmos planos que eu, só que não comigo. Não era eu a "pessoa errada".

Não me arrependo de nada daquela história, mas lamento. Lamento que a pessoa não tenha sido honesta. Lamento que tenha sido covarde. Mas sei que as pessoas não estão aqui pra nos agradar. Elas estão aqui pra viver da forma como elas acham que devem, da forma como elas se sintam felizes. Fora que, cada um dá o que tem, mas tudo só acontece quando a gente permite que aconteça. Portanto, não me eximo de culpa.

Não tenho raiva, rancor, mágoa. E até uma coisa entalada, que eu não sei o nome, talvez uma palavra que não foi dita, mas com que eu aprendi a conviver, já passou. Mesmo porque eu sei que não tem explicação pra ser. Aconteceu. Acontece com todo mundo ou quase todo mundo. Talvez pudesse ter sido diferente. Não menos doloroso porque se desfazer de um amor é se desfazer de si mesmo. E dói! É mudança. E dói!
A dor seria inevitável, mas a consideração poderia ter dado o ar da sua graça e, assim, deixado tudo mais leve e saudável. Porém, somos diferentes, graças à Deus, e isso faz com que tenhamos atitudes diferentes.

O importante é que eu amei muito; que durante algum tempo eu fui muito feliz; que eu tive momentos maravilhosos, inesquecíveis, algumas descobertas e experiências únicas; que eu sei o que é amar. E isso faz com que, hoje, eu tenha boas lembranças de um homem que não mereceu (?), mas foi muito amado e querido por mim.

Mas, o mais importante mesmo é que eu sou brasileira. E, como tal, não desisto nunca!

Estou pronta para amar novamente. Amar mais e melhor.
Um amor sem regras, sem horários, sem desculpas esfarrapadas e com olhos abertos, para que eu possa identificar qualquer sinal de amor unilateral.
Um amor que me faça sentir importante, segura e totalmente apaixonada.
Um amor que me faça suspirar e acreditar que é ele o AMOR da minha vida.

criado por rnalcantara    15:15 — Arquivado em: Sem categoria

22/5/08

É isso aí…

 

Um dia eu acordei com um telefonema. Atendi e ouvi a pessoa que eu muito amei dizer que só estava ligando porque "tocou essa música e lembrei de você".

Hoje, acordei, lembrei dessa música e pensei em você. Foi só uma desculpa que me dá a certeza de que ainda não esqueci. Pensando bem, tem muito a ver com o que "a gente achou que ia ser…"

Ana Carolina e Seu Jorge - É isso aí

É isso aí
Como a gente achou que ia ser
A vida tão simples é boa
Quase sempre
É isso aí
Os passos vão pelas ruas
Ninguém reparou na lua
A vida sempre continua

Eu não sei parar de te olhar
Eu não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não sei parar
De te olhar

É isso aí
Há quem acredite em milagres
Há quem cometa maldades
Há quem não saiba dizer a verdade

É isso aí
Um vendedor de flores
Ensinar seus filhos a escolher seus amores

Eu não sei parar de te olhar
Não sei parar de te olhar
Não vou parar de te olhar
Eu não me canso de olhar
Não vou parar de te olhar

criado por rnalcantara    22:27 — Arquivado em: Sem categoria

Ainda você

O avesso dos ponteiros - Ana Carolina

 

Sempre chega a hora da solidão
Sempre chega a hora de arrumar o armário
Sempre chega a hora do poeta a plêiade
Sempre chega a hora em que o camelo tem sede

O tempo passa e engraxa a gastura do sapato
Na pressa a gente não nota que a Lua muda de formato
Pessoas passam por mim pra pegar o metrô
Confundo a vida ser um longa-metragem
O diretor segue seu destino de cortar as cenas
E o velho vai ficando fraco esvaziando os frascos
E já não vai mais ao cinema

Tudo passa e eu ainda ando pensando em você
Tudo passa e eu ainda ando pensando em você

Penso quando você partiu
Assim… sem olhar pra trás
Como um navio que vai ao longe
E já nem se lembra do cais
Os carros na minha frente vão indo
E eu nunca sei pra onde
Será que é lá que você se esconde?

Tudo passa e eu ainda ando pensando em você
Tudo passa e eu ainda ando pensando em você

A idade aponta na falha dos cabelos
Outro mês aponta na folha do calendário
As senhoras vão trocando o vestuário
As meninas viram a página do diário

O tempo faz tudo valer a pena
E nem o erro é desperdício
Tudo cresce e o início
Deixa de ser início
E vai chegando ao meio
Aí começo a pensar que nada tem fim…

criado por rnalcantara    22:18 — Arquivado em: Sem categoria

19/5/08

Foi dito, só não foi ouvido!

"Se eu te pudesse dizer o que nunca te direi, tu terias que entender coisas que nem eu sei."  Fernando Pessoa

 

Há um ano eu estava em Fortaleza, mais precisamente no Beach Park, num show da Claudinha Leite. O dia inteiro foi planejado. Eu estava tentando fugir de um sentimento que eu não conseguia conter. De repente, ela, Claudinha, linda e loira, antes de começar uma música específica decide "falar de amor". Exatamente o que não poderia acontecer. Não naquele momento. Não naquele dia. E parecia que ela estava falando comigo, pra mim. E voltou a cantar. Aquela lágrima que tinha passado o dia inteiro fingindo que não iria escorrer…escorreu. E não foi a única. Toda a dor voltou à tona e eu já não estava mais ali.

 

Um ano depois, a dor não existe mais. Porém, devo confessar, a lágrima voltou a escorrer. O sentimento mudou, mas a lágrima continua sendo por você.

Por você quem eu não esqueci, por quem eu muito chorei, por quem eu sofri, quem eu mais amei.

 

Vim homenagear o nosso silêncio dizendo que, apesar de não ter dito há um ano e imaginar que tu nunca saberás, eu te desejo o melhor. Desejo que você seja feliz. E que, hoje, você ame de verdade. Talvez assim você possa imaginar o que eu senti e o quanto foi difícil o meu silêncio.

 

 

 

 

A Voz Do Silêncio - Martha Medeiros

Pior do que a voz que cala, é um silêncio que fala. Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades. Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento. Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo. Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar: "Diz alguma coisa, mas não fica aí parado me olhando!" É o silêncio de um, mandando más notícias para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente. Para os seguranças de um show de rock, o silêncio é um sonho. Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba, é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há emails na caixa de entrada não há recados na secretária eletrônica e, mesmo assim, você entende a mensagem.

 

 

criado por rnalcantara    21:51 — Arquivado em: Sem categoria

18/5/08

Boas Vindas

 

Já me rendi à era blog faz um tempinho, via My Space. E agora decidi criar o Momento Desabafo. Copiei alguns textos escritos recentemente e publiquei porque fiquei com um aperto enorme por deixar o histórico do meu espaço pra trás. Com isso, tentei compensar. Mas, a partir de agora, os desabafos serão escritos aqui.

Na realidade, a proposta é, de fato, desabafar. Não tenho a pretensão de ser escritora, cronista, etc e tals…apenas pretendo escrever sobre mim, sobre sentimentos, comentar qualquer coisa. Se agradar, ótimo. Caso contrário, paciência.

Então, que eu seja bem-vinda!

criado por rnalcantara    14:17 — Arquivado em: Sem categoria

Sem assunto

 

Acho que eu ando um pouco carente demais.
Carência afetiva masculina, existe? Talvez exista, mas com outro nome. Caso não exista cientificamente comprovada com essa descrição, eu acabo de criar e comprovar.

Isso é o famoso conhecimento tácito! Conhecimento totalmente subjetivo, difícil de ser repassado e que só se aprende e apreende vivendo. Mais famoso ainda: conhecimento de causa!
Ai ai ai! O que é isso, "companheiro"?

Psicanaliticamente falando, o que eu acabei de descrever chama-se sublimação…meio que: desviar a atenção, transferir os impulsos libidinais para algo ’socialmente’ aceito…ou melhor: vir pro computador e escrever. Fazer o quê?

Viajei legal!

Tudo isso se resume numa frase: Tô muito a fim de me apaixonar de novo! Ok, estou sendo um pouco polida demais! E, sabe-se bem, não é só isso!
Quem sabe: Quero amar e ser amada! Ainda tá um pouco, sei lá…

Acho que assim, em alto e bom som, seria ideal: Tô precisando de um namorado, E URGENTE!

Nossa, assim até eu fiquei com medo de mim. 

Escrito em 17/05/08

criado por rnalcantara    14:08 — Arquivado em: Sem categoria

Mais simples do que se imagina!

 

Eu nunca estive há tanto tempo sem namorado. Sempre que acabava um, pouco tempo depois, eu já estava num novo namoro. E, mesmo que estivesse sem namorado, muito provavelmente eu estava apaixonada por alguém.

Quase nunca estive sozinha ou melhor, sem companhia de um namorado, sem ter pra quem ligar quando a noite aparecer, sem ter quem abraçar e dividir um saco de pipoca e um copo de refrigerante no friozinho do cinema, sem ter pra quem dizer que estava com saudade, sem ter em quem pensar antes de adormecer, sem ter com quem sonhar acordada. Sempre imaginei que não conseguiria viver feliz se não estivesse ao lado de alguém, se não estivesse apaixonada.

Agora, vejo que isso é bom demais, mas não é indicativo e nem segurança de felicidade. Até porque você pode ter um namorado e ser sozinha, não estar feliz, viver reclamando…mas aí, já é outro assunto…falo disso em outro desabafo.

Então, ter alguém com quem dividir as coisas, com quem sair num sábado pra dançar, voltar suada e com um sorriso no rosto tendo a certeza de que no domingo você vai encontrar aquela pessoa novamente e continuar a ter momentos prazerosos, passar a noite inteira tentando assistir um filme mas não conseguir por estar morrendo de sono e estar totalmente confortável no peito de um homem em quem você confia, ser acordada com um beijo…

Enfim, tudo isso é maravilhoso e, admito em alto e bom som se preciso for, estou morrendo de saudade dessa intimidade da vida a dois, mas aprendi que ser feliz não se resume em ter um namorado. Todo esse tempo (quase uma eternidade!) que tenho vivido "solteira" me fez pensar em mim mesma, na minha vida, na minha forma de viver as minhas relações. Acabei descobrindo que existem tantas outras coisas que têm me feito feliz durante esse período e que, hoje, um namorado só seria um complemento de uma vida feliz.

Com esse tempo aprendi que ter pequenos momentos, pequenos prazeres, muitos amigos, algumas viagens, uma família não me faz menos ou mais feliz que ter um namorado. Simplesmente, me faz feliz! Também!

Aprendi que posso ser feliz, ou melhor, que SOU feliz tomando uma cerveja com colegas de trabalho; falando besteira com meus pais; dormindo cedo num sábado; abraçando meu irmão; falando com um amigo distante; passando horas conversando com uma amiga; indo a um show da Ana Carolina e cantando todas as músicas em voz alta; indo ao cinema e comendo sozinha um saco grande de pipoca, chorar no final do filme sonhando com um amor daquela maneira e não me sentir idiota quando acenderem as luzes; ir ao shopping e não ficar olhando no relógio com medo de me atrasar; comprar duas blusas do mesmo modelo de cores diferentes; sair com os amigos, tomar todas sem me preocupar com mais ninguém.

Aprendi que SOU feliz dizendo ‘eu te amo’ pras pessoas que eu realmente amo e ‘tava com saudade’ quando isso eu sentir.

Aprendi que eu tenho um mundo conspirando a meu favor, mas se eu não estiver atenta e disposta a encontrar a MINHA felicidade em tudo o que EU fizer, de nada adiantará ter um namorado.

Aprendi que tudo só depende de mim. E isso, foi o tempo que me ensinou.

PS: Deus sempre sabe o que faz. Disso eu não tenho dúvida alguma!

 

Escrito em 10/05/08.

criado por rnalcantara    14:05 — Arquivado em: Sem categoria

“Todo mundo tem um ponto fraco

…você é o meu, por que não?" Barão Vermelho


Muito me admiro de mim mesma.

Acordei falando sozinha como todos os outros dias. Abri a janela, liguei a televisão, tomei banho, fiz meu café, tomei, fui trabalhar. A rotina minha de cada dia, de todo dia. Tudo aparentemente normal, mas estava faltando alguma coisa. Senti uma sensação de que estava esquecendo algo. No carro pensei: é a minha maçã. E não era. Abri a bolsa e lá estava ela. Pensei: esqueci da reunião. Não, não tinha reunião. Será que tá faltando alguma coisa no AP? Não lembrei de nada. Acho que é aniversário de algum amigo. Ah…é aniversário do Thi (amigo que eu não vejo há um tempão). Não, é dia 23, mas foi de março. Pensei, pensei e nada. Ai, ai, ai, o que será que eu tô esquecendo? O dia foi passando e a sensação continuava. Acabei deixando de lado, trabalhando.

A noite chegou, o dia já estava quase acabando e cá com os meus botões, lembrei. 23 de abril…Ah, 23 de abril. O jeito é rir! Foi o que eu fiz. Ri, sorri.
Um sorriso bem gostoso. Gostinho de boas lembranças. Como eu consigo? Acho que eu sou muito boba. Não, meio boba (assim é melhor).

Prefiro acreditar que eu tenho um coração maravilhoso. Que não importa o que aconteça, eu sou capaz de tirar proveito de tudo, e o melhor, a meu favor. Aliás, eu nem precisaria dizer isso. Nem tudo foram espinhos. Resultado: prefiro lembrar do sabor, do cheiro…das ‘rosas’.

Enfim, novamente, estou eu lembrando e registrando que eu não esqueci. Essa sou eu! :)

Eu sou muito-meio-boba-e-romantiquinha mesmo! Mas, apesar disso e por isso, eu me amo!

 

Escrito em 23/04/08

Certas Coisas - Lulu Santos

Não existiria som se não
Houvesse o silêncio
Não haveria luz se não
Fosse a escuridão
A vida é mesmo assim
Dia e noite, não e sim

Cada voz que canta amor
Não diz
Tudo que quer dizer
Tudo que cala
Fala mais
Alto ao coração
Silenciosamente
Eu te quero com paixão

Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncio e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feito de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer

criado por rnalcantara    13:54 — Arquivado em: Sem categoria

A esperança é a última que morre!

Você existe, eu sei - Biquini Cavadão

Há tanto tempo venho procurando
Venho te chamando
Você existe, eu sei

Em algum lugar do mundo você vive
Vive como eu
Onde eu ainda não fui

Como é o seu rosto?
Qual é o gosto que eu nunca senti?
Qual é o seu telefone?
Qual é o nome que eu nunca chamei?

Se eu esbarrei na rua com você
E não te vi, meu amor,
Como poderia saber

Tanta gente que eu conheci
Não me encontrei, só me perdi
Amo o que eu não sei de você

Como é o seu rosto?
Qual é o gosto que eu nunca senti?
Qual é o seu telefone?
Qual é o nome que eu nunca chamei?

Sei que você pode estar me ouvindo
Ou pode até estar dormindo
Do acaso eu não sei
Talvez veja o futuro em seus olhos
Pelo seu jeito de me olhar
Vou me reconhecer em você.

 

Como diaria Tati Bernardi, qto mais interessante é uma pessoa
mais difícil de encontrá-la por aí…mas a esperança ainda reina
absoluta no meu ser hihihi

 

Escrito em 03/05/08.

criado por rnalcantara    13:50 — Arquivado em: Sem categoria

Um dia tudo acaba…

Inclusive o gás de cozinha!

Impressionante como certas coisas não fazem parte da nossa preocupação diária, ainda bem!

Eu sempre soube que as botijas de gás são trocadas, sempre vi meu pai fazendo isso. Mas, ignorância à parte, não imaginava que a minha fosse acabar. Semana passada descobri que isso ocorre em todos os lares, inclusive no meu AP.

Demorou um certo tempo pra eu me dar conta do fato. Tentei algumas vezes "reacender a chama" do fogão e nada. Tive a ‘audácia’ de suspender a botija, achar que estava pesada demais pra estar vazia, pegar o fósforo e tentar novamente. E…nada!

A minha mãe é tudo na minha vida. Ela me ensinou muito sobre muitas coisas, mas esqueceu de me ensinar a trocar a botija de gás. É, porque lá em casa, não é só o meu pai que saber fazer isso. A minha mãe também sabe trocar. Apesar que, até imagino, se ela tivesse, algum dia, pelo menos, cogitado a hipótese de me ensinar isso eu não teria dado a menor importância. Mas hoje eu dou valor! Hoje eu sei o quanto faz falta não saber o que fazer com a mangueirinha que fica perto da botija.

A única solução que encontrei foi ligar pra minha ’secretária’ (ai que vergonha) e pedir pra ela me ajudar (leia-se trocar a botija pra mim). Ainda bem que ela é super gente boa e aparenta gostar de mim. Logo, ela veio prontamente. E sem me xingar no caminho, disso eu tenho certeza!

É, morar sozinha tem dessas coisas! Mas essa não foi a única vez que solicitei ajuda.

Outro dia, um dia muito quente, cheguei em casa e resolvi abrir a janela do quarto. À noite, sempre abro as outras janelas e quase nunca a do quarto, justamente pois, eu morro de medo de entrar algum bichinho. A janela do quarto só abro pela manhã porque, se entrar alguma coisa, encho a casa de veneno, tranco tudo e vou trabalhar. Certamente, quando eu voltar, não existirá mais nem sinal do tal bichinho.

Porém, naquela noite, esqueci o medo e resolvi abrir a janela do quarto. E aconteceu o que eu mais temia. Entrou um bichinho, mais precisamente, uma osga. Diferente da maioria delas, ela era branca e parecia mais gorda que o normal (não sei explicar exatamente). Quando eu era criança, a minha vó me ensinou que o nome era ‘briba’, depois de muito tempo que eu descobri que a briba era osga.

Nada de mais se ela tivesse entrado e ido pra cozinha. Eu fecharia o quarto e dormiria tranquila. Porém, a desgraçada resolveu ir em direção a minha cama e ficou lá. Aparentemente um local muito agradável pra ela, mas, em compensação, pra mim…

Fiquei aguniada, literalmente. Pensei milhões de coisas do tipo: se ela se desgrudar do teto e cair em cima da cama, se eu estivesse dormindo e ela caísse na cama…enfim, milhões de pesadelos. Foi então que eu tive a brilhante idéia de chamar o meu vizinho. Ai que vergonha! Eu mal falo com ele. Só sei que ele não é mudo porque quando a gente se cruza na escada sempre rola um bom dia, boa tarde e só. Nem imagino como ele se chama. Enfim, cara-de-pau à parte, chamei o tal.

Ele, mais que prontamente, veio, matou a bichinha, tirou do AP e não resistiu àquela risadinha cínica. Tudo bem, eu suporto! Tudo pelo meu bem estar físico-psico-social etc e tal. Santo vizinho!

A tal "morte da osga" acabou dando uma certa "liberdade" pro assassino, digo, vizinho. Depois de uma semana, ele não resistiu a puxar um papinho sem-pé-nem-cabeça comigo. Um papinho mais ou menos assim: Ó quando você fizer peixe cozido me chama. E eu, erradamente: Ah, tá! E ele: de vez em quando você faz um peixe cozido que dá pra sentir o cheiro lá de baixo. E eu: hum! (balançando cabeça positivamente) Então tá.

Na verdade, senti uma vontade louca de desiludir o meu vizinho dizendo que eu nunca tinha feito peixe cozido e a única coisa cozida que eu faço, quase todo dia, é ovo. Mas, como não faz muito tempo que eu saí da adolescência (cof, cof!!), e acho que ele também não, ainda lembro das sacaneadas que a gente tirava. Então, eu não poderia dar mais uma mancada e fazer com que ele pensasse, assim que eu virasse de costas: É, só quer ser gatinha…

Ninguém merece!

Só sei de uma coisa: se o vizinho se dispuser a esperar pelo peixe cozido, coitado, morrerá de fome!

Escrito em 07/05/08

criado por rnalcantara    12:23 — Arquivado em: Sem categoria
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