Momentos & Desabafos

“Se você vomita, azeda tudo em volta. Se você engole, azeda tudo dentro” - J.A. Gaiarsa.

18/5/08

Um dia tudo acaba…

Inclusive o gás de cozinha!

Impressionante como certas coisas não fazem parte da nossa preocupação diária, ainda bem!

Eu sempre soube que as botijas de gás são trocadas, sempre vi meu pai fazendo isso. Mas, ignorância à parte, não imaginava que a minha fosse acabar. Semana passada descobri que isso ocorre em todos os lares, inclusive no meu AP.

Demorou um certo tempo pra eu me dar conta do fato. Tentei algumas vezes "reacender a chama" do fogão e nada. Tive a ‘audácia’ de suspender a botija, achar que estava pesada demais pra estar vazia, pegar o fósforo e tentar novamente. E…nada!

A minha mãe é tudo na minha vida. Ela me ensinou muito sobre muitas coisas, mas esqueceu de me ensinar a trocar a botija de gás. É, porque lá em casa, não é só o meu pai que saber fazer isso. A minha mãe também sabe trocar. Apesar que, até imagino, se ela tivesse, algum dia, pelo menos, cogitado a hipótese de me ensinar isso eu não teria dado a menor importância. Mas hoje eu dou valor! Hoje eu sei o quanto faz falta não saber o que fazer com a mangueirinha que fica perto da botija.

A única solução que encontrei foi ligar pra minha ’secretária’ (ai que vergonha) e pedir pra ela me ajudar (leia-se trocar a botija pra mim). Ainda bem que ela é super gente boa e aparenta gostar de mim. Logo, ela veio prontamente. E sem me xingar no caminho, disso eu tenho certeza!

É, morar sozinha tem dessas coisas! Mas essa não foi a única vez que solicitei ajuda.

Outro dia, um dia muito quente, cheguei em casa e resolvi abrir a janela do quarto. À noite, sempre abro as outras janelas e quase nunca a do quarto, justamente pois, eu morro de medo de entrar algum bichinho. A janela do quarto só abro pela manhã porque, se entrar alguma coisa, encho a casa de veneno, tranco tudo e vou trabalhar. Certamente, quando eu voltar, não existirá mais nem sinal do tal bichinho.

Porém, naquela noite, esqueci o medo e resolvi abrir a janela do quarto. E aconteceu o que eu mais temia. Entrou um bichinho, mais precisamente, uma osga. Diferente da maioria delas, ela era branca e parecia mais gorda que o normal (não sei explicar exatamente). Quando eu era criança, a minha vó me ensinou que o nome era ‘briba’, depois de muito tempo que eu descobri que a briba era osga.

Nada de mais se ela tivesse entrado e ido pra cozinha. Eu fecharia o quarto e dormiria tranquila. Porém, a desgraçada resolveu ir em direção a minha cama e ficou lá. Aparentemente um local muito agradável pra ela, mas, em compensação, pra mim…

Fiquei aguniada, literalmente. Pensei milhões de coisas do tipo: se ela se desgrudar do teto e cair em cima da cama, se eu estivesse dormindo e ela caísse na cama…enfim, milhões de pesadelos. Foi então que eu tive a brilhante idéia de chamar o meu vizinho. Ai que vergonha! Eu mal falo com ele. Só sei que ele não é mudo porque quando a gente se cruza na escada sempre rola um bom dia, boa tarde e só. Nem imagino como ele se chama. Enfim, cara-de-pau à parte, chamei o tal.

Ele, mais que prontamente, veio, matou a bichinha, tirou do AP e não resistiu àquela risadinha cínica. Tudo bem, eu suporto! Tudo pelo meu bem estar físico-psico-social etc e tal. Santo vizinho!

A tal "morte da osga" acabou dando uma certa "liberdade" pro assassino, digo, vizinho. Depois de uma semana, ele não resistiu a puxar um papinho sem-pé-nem-cabeça comigo. Um papinho mais ou menos assim: Ó quando você fizer peixe cozido me chama. E eu, erradamente: Ah, tá! E ele: de vez em quando você faz um peixe cozido que dá pra sentir o cheiro lá de baixo. E eu: hum! (balançando cabeça positivamente) Então tá.

Na verdade, senti uma vontade louca de desiludir o meu vizinho dizendo que eu nunca tinha feito peixe cozido e a única coisa cozida que eu faço, quase todo dia, é ovo. Mas, como não faz muito tempo que eu saí da adolescência (cof, cof!!), e acho que ele também não, ainda lembro das sacaneadas que a gente tirava. Então, eu não poderia dar mais uma mancada e fazer com que ele pensasse, assim que eu virasse de costas: É, só quer ser gatinha…

Ninguém merece!

Só sei de uma coisa: se o vizinho se dispuser a esperar pelo peixe cozido, coitado, morrerá de fome!

Escrito em 07/05/08

criado por rnalcantara    12:23 — Arquivado em: Sem categoria

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