Momentos & Desabafos

“Se você vomita, azeda tudo em volta. Se você engole, azeda tudo dentro” - J.A. Gaiarsa.

19/5/08

Foi dito, só não foi ouvido!

"Se eu te pudesse dizer o que nunca te direi, tu terias que entender coisas que nem eu sei."  Fernando Pessoa

 

Há um ano eu estava em Fortaleza, mais precisamente no Beach Park, num show da Claudinha Leite. O dia inteiro foi planejado. Eu estava tentando fugir de um sentimento que eu não conseguia conter. De repente, ela, Claudinha, linda e loira, antes de começar uma música específica decide "falar de amor". Exatamente o que não poderia acontecer. Não naquele momento. Não naquele dia. E parecia que ela estava falando comigo, pra mim. E voltou a cantar. Aquela lágrima que tinha passado o dia inteiro fingindo que não iria escorrer…escorreu. E não foi a única. Toda a dor voltou à tona e eu já não estava mais ali.

 

Um ano depois, a dor não existe mais. Porém, devo confessar, a lágrima voltou a escorrer. O sentimento mudou, mas a lágrima continua sendo por você.

Por você quem eu não esqueci, por quem eu muito chorei, por quem eu sofri, quem eu mais amei.

 

Vim homenagear o nosso silêncio dizendo que, apesar de não ter dito há um ano e imaginar que tu nunca saberás, eu te desejo o melhor. Desejo que você seja feliz. E que, hoje, você ame de verdade. Talvez assim você possa imaginar o que eu senti e o quanto foi difícil o meu silêncio.

 

 

 

 

A Voz Do Silêncio - Martha Medeiros

Pior do que a voz que cala, é um silêncio que fala. Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades. Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento. Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo. Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar: "Diz alguma coisa, mas não fica aí parado me olhando!" É o silêncio de um, mandando más notícias para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente. Para os seguranças de um show de rock, o silêncio é um sonho. Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba, é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há emails na caixa de entrada não há recados na secretária eletrônica e, mesmo assim, você entende a mensagem.

 

 

criado por rnalcantara    21:51 — Arquivado em: Sem categoria

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