Momentos & Desabafos

“Se você vomita, azeda tudo em volta. Se você engole, azeda tudo dentro” - J.A. Gaiarsa.

31/7/08

Coca-cola? Nem sempre!

 

Muitas vezes tudo o que queremos é sempre estarmos bem. Nada de dificuldades, nada de sofrimentos, nada de obstáculos. Muitas vezes a gente não consegue lidar com o que foge do nosso controle. O inesperado.

 

Queremos, sim, ter uma pessoa legal ao nosso lado, ter um emprego bom, um salário perfeito, uma família adorável, amigos confiáveis. Não basta ter família, amigos, amor, emprego. Tem que ser perfeito. Tem que ser o melhor. Tem que ser coca-cola, sempre. Aquilo que é invejável, incomparável.

 

Mas, de repente, depois de uma noite de amor, uma madrugada ao lado da pessoa amada, você acorda e vê remela nos olhos do ser amado. Vai beijar e percebe o mau-hálito. Vai tomar café e descobre que o ser amado "chupa" o café com medo de queimar a boca e produz um som desagradável. Depois de um tempo percebe que aquilo que era lindo se torna insuportável. As fofas manias se transformam em defeitos insuportáveis.

 

De repente você consegue aquele emprego dos sonhos na melhor empresa do estado com um salário de matar de inveja todos os seus amigos. Depois de um mês, percebe que seu chefe é mais burro do que todos imaginam, que vê dificuldade nas coisas mais simples, que promove os puxa-sacos e a partir daí você passa a detestar aquele ambiente.

 

Na família onde todos se amam, todos se completam, se ajudam e confraternizam aos domingos, eis que surge um problema. Alguém se envolve com drogas, alguma tia tem problemas com o marido que a agride fisicamente, algum primo é homossexual. E pronto. Seu ideal de família foi por água abaixo.

 

As coisas nunca são perfeitas. Sempre haverá altos e baixos. Momentos agradáveis e desagradáveis. E num relacionamento isso não é diferente. Você não "ama" enlouquecidamente uma pessoa todos os dias da sua vida. O amor está ali, presente. Mas em alguns dias a vontade de ficar longe daquela pessoa vai bater. Uma pontinha de inveja dos solteiros vai surgir. A irritação e mau-humor vão te acompanhar, assim como ao outro também.

 

A idealização da hora certa, pessoa certa e momento perfeito tornam as coisas mais complicadas. Mais difíceis de serem aceitas e superadas.

 

É meio clichê, mas é assim. Não dá pra ser ou ter coca-cola todo dia o dia todo. Quando parecer que as coisas estão perdidas só porque estão meio pepsi, o melhor é encher o copo de gelo e limão e tomar bem devagar. Certamente as coisas serão vistas de outra forma. Terão um novo sabor.

 

criado por rnalcantara    23:07 — Arquivado em: Sem categoria

26/7/08

“Nem tudo é como você quer…

 

…Nem tudo pode ser perfeito. Pode ser fácil se você ver o mundo de outro jeito". Capital Inicial

 

 

 

A palavra que resume como eu me sinto é cansaço. Nada físico. Nada que um dorflex e uma boa noite de sono resolva. Estou me sentindo cansada dessa vidinha moderninha. Essa coisa que todos almejam e que é vazio. 

 

Cansei de estar entre pessoas que estão disponíveis e indisponíveis ao mesmo tempo. Cansei de gente egoísta que só se importa com o próprio umbigo. Cansei dessa turma de pessoas que só querem curtição, que acreditam que o que vale é o prazer. Cansei de dar desguia em gente que não aparece há séculos na sua vida e, de repente, vê seu nome na agenda e liga como se fosse a última bolacha do pacote e ainda se acha no direito de exigir que você aceite o convitinho para "dar" (com todos os trocadilhos) uma volta. É claro que isso não está explícito, mas nem precisaria. O "queria te ver hoje" já diz tudo.

 

Queria saber o que leva uma pessoa a achar teu nome na agenda e acreditar que "já tem pra hoje". Queria saber se isso acontece com frequência no mundo dos solteiros. Acho muita cara-de-pau você nunca ter dado pro cara e, de repente, ele ligar querendo te comer de qualquer jeito. Ficar insistindo e, o pior, com aquele papinho brabo de quem não come ninguém, mas que tem a certeza de que todas estão perdendo a maior maravilha.

 

Será que os homens acham que as mulheres não percebem a intenção deles pelo tom de voz, pela conversa mole e acreditam que vão "dar uma volta" e nos deixar terrivelmente excitadas a ponto de convidá-los para uma noite de sexo? Fala sério! Pode até ser que isso exista. E existe, eu sei. Mas também existem pessoas e pessoas. Não é todo mundo que se presta a entrar num círculo vicioso de "dar pra quem quiser", "não sou de ninguém" e "hoje é com você, mas amanhã será com outra".

 

Cansei dessa vidinha moderninha. Cansei da banalização do beijo, do sexo, do amor. Será que, hoje em dia, alguém ainda pensa em amar alguém? "Amar pra quê se em sete dias da semana eu posso, no mínimo, comer três pessoas diferentes?" (isso só levando em consideração o fim de semana).

 

Na verdade, só não cansei foi de ser "A" chata não "enquadrável" nessa modernidade toda. E não me enquadro mesmo! E quer saber? Não me faz falta alguma não ser a fulaninha legal pra caramba, super simpática e…promíscua. Aquela que, depois de uma noite de sexo animal, volta pra casa e não sabe direito nem o nome da pessoa que lhe comeu. Aquela que deve conviver com um vazio tão intenso quanto o gozo que teve nessa mesma noite.

 

 

PS: Acho que eu vim aqui falar sobre outro cansaço que eu também estou sentindo e acabei falando disso, mas tudo bem. Agora já era!

 

criado por rnalcantara    12:04 — Arquivado em: Sem categoria

14/7/08

Desabafo final

 

Lá, 14 de julho de 2006.

 

Dia totalmente atípico entre nós dois. Frases incompletas, horários antecipados, dúvidas e uma surpresa nem tão surpreendente assim. Abri meus olhos e propositalmente fiz meu mundo desabar. Motivos eu tive, e muitos. E acumulados. Não dormi. Vi amanhecer o dia e esperei pra falar com ele, já que ele não me atendeu à noite. Ele ligou e, mais uma vez, quis me convencer de que eu estava enganada. Chateada, não acreditei e decidi pôr um fim naquilo que eu já sabia, mas não queria acreditar, que não teria futuro. Meus sentimentos se confundiram com as palavras dele. A culpa me acompanhou durante o dia inteiro. O arrependimento chegou a ser meu companheiro, mas eu, no fundo, sabia que era o melhor. "Você vai se arrepender e o tempo vai te mostrar que você está errada": frase-mantra dos meus dias. Dia e noite no tormento dessa frase. E se eu estiver enganada? Se ele tiver razão e daqui há uma semana eu descobrir que eu fui uma burra? Durante duas semanas esperei o telefone tocar. O tempo necessário pra ele me procurar. E nada! Na segunda sexta-feira após, fui ao show que iríamos juntos, acompanhada dos nossos amigos. Todos viram. Eu sofri, por instantes, do que a psicologia poderia explicar como uma provável cegueira psicológica, inconsciente. Eu simplesmente não quis ver. Não quis ver que o tempo já estava me mostrando, como ele disse que aconteceria. A diferença era que o tempo (duas semanas) me mostrava, que eu estava certa. Tudo o que eu não queria, estar certa! Mas dessa vez eu não quis ver. Eu fechei meus olhos. Mas o tempo foi persistente e queria, de uma vez por todas, me mostrar. E na terça-feira seguinte eu enxerguei. Através dos olhos de outra pessoa, eu fui obrigada a enxergar. Ver que daquele momento em diante todo o amor que eu sentia não significava nada. Dois meses depois do fatídico dia 14, mais uma mostra do "tempo". Aquele mesmo tempo a que ele se referiu. E agora uma mostra de que além de certa, eu "estava" burra. O noivado se concretizou. Dez meses depois do dia 14, o casamento e a gravidez. A família estaria completa e feliz. E eu? Remoendo uma dor. Uma dor que nunca foi extravasada. Nunca foi esquecida. Nunca tive o prazer de vomitar. Vomitar tudo que senti. Mas o tempo…o tempo me mostrou. Exatamente como ele profetizou.

 

Aqui, 14 de julho de 2008.

 

Dois anos depois, eu vejo exatamente tudo o que ele disse que o tempo me mostraria. Ele apenas confundiu pensando(?) que eu estaria errada (?). Durante um longo período sofri e me perguntei: Por que não eu? Mais uma vez o tempo foi meu aliado. Demorei pra perceber. A ansiedade atrapalhou, mas hoje eu sei a resposta. Porque sem ele eu me tornei melhor. Sem ele eu cresci. Sem ele eu sofri, mas aprendi. Aprendi que amar não é via de mão única. Amar é mais. Eu posso mais. Eu mereço muito mais. Mais que migalhas, mais que desculpas. Nós não seríamos tudo o que deveríamos ser se ainda estivéssemos juntos. Eu amei demais, sofri demais. Ele ainda é referência. Agora, do que eu não quero mais. Ele será inesquecível. Não somente pela dor, pelo silêncio, pelo amor que eu senti, mas também pelo vômito entalado. Pelo amor desperdiçado, esnobado, dispensado. Pelos sorrisos contidos, pelos planos desfeitos (meus), pelo fim não resolvido ou mal resolvido (pra mim). Pelas lágrimas de dor e de felicidade, viagens e aventuras, momentos de prazer. Pelo que eu fui ao lado dele. Enfim, por ele ter sido objeto do meu amor. Mas o tempo me mostrou que foi o melhor, apesar de pior. Mostrou que eu fiz a escolha certa. Escolhi a mim! E o vômito? Engoli. Escolhi não o atrapalhar com o de mais amargo que eu tinha pra lhe oferecer. Assim, ele jamais poderá dizer que, quando acabou, eu fui pedra no caminho. E hoje eu sei que essa foi mais uma escolha certa.

 

criado por rnalcantara    23:49 — Arquivado em: Sem categoria

10/7/08

Dane-se o desejo alheio!

 

Há um ano tomei uma decisão muito importante. Aceitei a proposta de gerenciar uma equipe com pessoas que nunca tinha visto antes num lugar "desconhecido", longe dos pais, dos amigos, de casa. Isso implicou mudança de vida, de cidade, de rotina. Confesso que a decisão de aceitar não só passou pelo crivo "ascenção profissional", como também pelo crivo "esqueça um amor". Eu já estava sofrendo há um ano e precisava me libertar daquele sentimento e como eu tinha consciência disso, acabei enxergando uma oportunidade dentro da oportunidade. Tive muito receio pois, por menor que seja a mudança, ela muitas vezes amedronta. Mas ok, vim, vi e venci. Literalmente. 

 

De acordo com as normas da empresa, o funcionário promovido, removido, realocado precisa passar, pelo menos, um ano na nova estadia. Passado esse um ano, o funcionário está "livre" pra procurar outros rumos. Acabei de completar esse castigo (mentira, aqui nem é tão ruim assim) e eis que surge a mini-vaga dos meus sonhos.

 

O núcleo dessa vaga é o que mais se aproxima da minha formação. Fiz um curso por "gostar". Sou formada e quase pós-graduada numa coisa e trabalho com "nada-a-ver-com-isso". Por isso a vaga é a dos meus sonhos. Estou nessa empresa desde o primeiro ano de faculdade, deixei a vida me levar, fui ficando, me formei e não abandonei o emprego, como muitas amigas fizeram. Fui me aperfeiçoando no que faço e estou aqui. Acabei me tornando o que hoje eu sou. Nada mal! Afinal, sem modéstia, sou muito boa no que faço.

 

Mas me pergunto: será que se eu fizesse o que eu gosto eu não seria melhor ainda? Sei que a vida não é assim e é por essas e outras que tento fazer sempre o melhor, onde quer que esteja e o que quer que esteja fazendo. Porém, não me imagino fazendo isso sempre e pra sempre. Quero ter outras oportunidades de fazer o que também sei. E, justamente por isso, me inscrevi pra concorrrer à tal mini-vaga.

 

Consegui fazer um bom trabalho nesse um ano. Atingimos resultados ótimos, somos vistos por órgãos superiores, somos destaques. Formamos uma ótima equipe e isso é fundamental para atingirmos o que esperam de nós. Tenho ótimos colaboradores e uma chefia excelente. Ela confia muito em mim e me vê como uma "ela" em potencial. Sempre afirma seja pra quem for "quando eu for embora, vou te levar comigo, nem penso em te deixar". Ou seja "continua trabalhando pra mim, resolvendo o que todo mundo adia, me dando suporte, afinal você é ótima nisso".

 

Sim, mas hoje contei a ela que me inscrevi na seleção. Ela prontamente se decepcionou comigo: "não acredito! Você quer deixar de ser gerência média pra se tornar analista? Isso vai atrapalhar a sua carreira mais tarde. Você pode ser gerente em pouco tempo, tem potencial pra isso. Eu não tô nem acreditando". Saí de lá me sentindo a última das "nem-sei-o-quê".

Como eu posso querer menos do que posso? Acho que foi isso que ela disse. E isso é porque eu apenas me inscrevi. Imagina se eu for selecionada e aceitar a mini-vaga. Por isso que tenho aqui tratado a vaga como "mini-vaga".

 

Sempre vivi as expectativas dos outros. Sempre me preocupei em agradar, em ser o que as pessoas gostariam que eu fosse. Mas acho que já chega, né? Já sofri tanto por isso. Doeu muito no meu peito decepcionar uma pessoa que me ensinou tanta coisa. Ver a reprovação nos olhos dela me deixou super mal. Mas caso role a seleção e caso eu seja a escolhida, sinto muito. Vou deixar de ser gerência, sim! E com muita alegria no coração. 

 

criado por rnalcantara    22:43 — Arquivado em: Sem categoria

5/7/08

“Eu só peço à Deus um pouco de malandragem”

 

Às vezes me pergunto se sou muito lerda ou se as pessoas estão muito rápidas mesmo. Acho que me falta um pouquinho de cara-de-pau aliada à ousadia.

 

Há duas sextas saio pro mesmo lugar. Na primeira, chamou minha atenção um cara estilo "meu número" (falta de vocabulário!). Trocamos olhares, mas nada além disso. Na última sexta, chego ao local e encontro logo de cara o dito cujo. Percebi que ele me reconheceu. A troca de olhares dessa vez foi seguida de um sorriso lindo. Acendi o sinal verde e correspondi à altura. As minhas amigas decidiram comprar alguma coisa pra beber, fomos.

 

Depois de compradas as bebidas, nada mais que dez minutos depois, eis que faço questão de voltar para o mesmo lugar explicando os motivos a elas, que tinham percebido e comentaram comigo sobre. Até aí tudo bem. Voltamos e procurei o mesmo olhar. Foi quando percebi que ele sequer se moveu. Estava no mesmo lugar e quando voltei, ele percebeu. Mas, além dos amigos que já estavam lá com ele, estavam também duas moças. Uma delas falou no ouvido dele e segundos depois…um beijo.

 

Caramba! E eu? Estava lá, olhando pra ele. Fiquei me sentindo a última das idiotas, mas…fazer o quê?! Paciência, Renata!

 

Acho que estou vivendo há anos luz da atualidade. Totalmente fora da realidade.   

Aquela que ainda espera o cara tomar a iniciativa e se dana porque está tudo muito fácil. Os caras devem pensar: conquistar pra quê se não preciso me esforçar para obter os mesmos resultados?

 

Mas o pior mesmo ainda estava por vir. Passada a frustração, surge um "amigo" pedindo o número do meu telefone pra um amigo.

-Sim, e quem é teu amigo mesmo? Fulano ali. Ah tá!

 

Para a minha surpresa era o dito dos olhares, sorrisos e beijos. Este último não comigo, não pra mim. Eu mereço!

 

 

criado por rnalcantara    20:55 — Arquivado em: Sem categoria

4/7/08

Revival

 

Como diria Tim Maia: Paixão antiga sempre mexe com a gente…

E eu digo mais: Mexe muito!
Dá aquela vontade de flashback, com direito a horas de conversa, risadinhas sobre os desencontros, gargalhadas da própria história e beijos, muitos beijos. Não é qualquer paixão antiga. Tem algumas paixões que são bem melhores ficarem lá onde estão, no passado. Porém, tem outras…

Acho que a paixão a que Tim Maia se referiu seria aquela paixão que não deixou de ser paixão. Teve início, meio e fim ainda nessa fase intensa. Aliás, acho que essa paixão nem teve fim. Ela, simplesmente, deixou de ser vivida e ponto. O "problema" está justamente aí, na minha reles opinião.
Ela começou como toda paixão começa…fogo, intensidade, etc e tals. Teve aquela fase morninha e antes de se transformar em qualquer outro sentimento ela teve fim, ou melhor, deixou de ser vivida. É a tal história da chama que não se apagou. Por isso que mais tarde ela volta, mexe com a gente e reacende fácil, fácil.

Penso que quando um relacionamento acaba as pessoas precisam se dar conta exatamente do momento do fim. Às vezes, isso acontece antes mesmo do relacionamento terminar, outras no momento em que termina ou, ainda, bem depois do relacionamento ter terminado (sei bem!). Mas chega um dia que as pessoas se dão conta e põe um ponto final. A partir daí o outro não nos interessa mais, o sentimento muda.

 

 A minha paixão teve esse ciclo (eu e ciclo!): paixonite aguda, sequência de desencontros e…nem sei mais!
O que eu sei é que toda vez que eu encontro essa paixão com forma, cheiro único, olhar sedutor (que olhar!) e um abraço gostoso demais…ai ai…passo a noite suspirando rsrsrs. E é isso que eu tô fazendo agora!

 

Eu tô com saudade de vc, PAIXÃO.

"…Basta um encontro, por acaso, e pronto…"

criado por rnalcantara    1:56 — Arquivado em: Sem categoria

2/7/08

Memórias Póstumas

 

Não gosto muito desse lance de auto-ajuda, apesar de já ter lido alguns livros e ter apenas começado tantos outros, mas eu adoro essas mensagens que os amigos mandam por email e que lá no finalzinho até aparenta auto-ajuda. Não qualquer mensagem, lógico!

 

Adoro crônicas e guardo a maioria delas quando recebo. Penso que elas sempre serão úteis posteriormente, pelo menos pra mim. Gosto também daquelas que, ao final, a gente para e pensa que vai conseguir guardar a mensagem todinha na cabeça por algum tempo e, às vezes, até consegue. E estas são as que nos marcam. Digo isso porque duas mensagens marcaram uma trajetória da minha vida.

Tudo começou com um email que recebi de uma amiga com o título: Ciclos. Durante esse um ano e seis meses, li e reli dezenas de vezes esse email.
Fala, basicamente, que a vida é feita de ciclos. Encerra-se um, inicia-se outro. E a minha (quase) obsessão por essa mensagem vinha porque eu, simplesmente, precisava encerrar um ciclo, mas não conseguia.

 

Eu sempre fui muito ansiosa. Essa conversa de que "nada como o tempo" nunca me agradou muito. O tempo passava e as pessoas iniciavam outros ciclos e eu ainda não tinha conseguido encerrar o anterior. Parecia que as pontas não se encontravam nunca. E quantas vezes eu chorei, pedi, implorei…e nada!
A angústia persistia. Parece que qto mais vc quer encerrar, mais difícil fica. 

 

Outra mensagem que me marcou e que completa essa (talvez por isso tenha marcado) foi a tal da "Isso também vai passar!".

Puts, não tem nada mais mamão-com-açúcar do que essa mensagem. E não existe nada mais depressivo do que remoer sua dor lendo essa mensagem, e olha que eu fiz muito isso. E, ao final, sempre vinha aquela pergunta que fazia questão de não calar: Mas quando? "Por favor, parem com essas mensagens e me digam algo mais concreto", eu me desesperava. E os dias continuavam passando…a angústia também, mas em doses homeopáticas, uma gotinha por dia. E, aquilo que eu queria que fosse embora com o piscar dos meus olhos permanecia ali, aparentemente intacto. Mas "isso tb vai passar", eu me consolava.

E, então, vc vai vivendo cada dia, levantando aos poucos, sorrindo, chorando bem menos e lembrando menos ainda e, de repente, qdo vc vê: Que susto! Cadê?
Aquilo que estava ali durante tanto tempo, que de tanto tempo já te era cativo, que de tão cativo já tinha até nome, não te acompanha mais.
Confesso que, hoje, até cheguei a sentir falta quando percebi que tinha passado.
É bem verdade que nem eu sei ao certo quando foi, mas foi.

Hoje, aqui, sozinha, procurei por aquele sentimento, ou melhor, aqueles sentimentos que me acompanhavam há mais de 1 ano e, de repente, me deparo com um vazio. Eles foram embora sem sequer se despedirem. Quanta ingratidão!!
Eu que suportei tanta coisa com eles e por eles. Suportei lágrimas, dor, silêncio, nem ao menos mereci um "tchau, sua otária!"

Mas, meus queridos, pra onde quer que vcs tenham ido: BOA SORTE!
Tenho certeza que, a partir de agora, tanto vocês quanto eu, estaremos em melhores companhias.
Se lembrarem de mim, esqueçam de voltar pra mim. Eu também não os quero mais.

Hoje, eu, que de ingrata não tenho nada, vou ler novamente essas duas mensagens em homenagem a vcs.
A primeira com o ciclo encerrado e a segunda em outro tempo verbal: Isso Também Passou!!

PS: Demorou muuuito, mas passou! Graças à Deus.

Renata
em 24.01.08

criado por rnalcantara    15:05 — Arquivado em: Sem categoria
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Am I a spambot? yes definately
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