10/7/08
Dane-se o desejo alheio!
Há um ano tomei uma decisão muito importante. Aceitei a proposta de gerenciar uma equipe com pessoas que nunca tinha visto antes num lugar "desconhecido", longe dos pais, dos amigos, de casa. Isso implicou mudança de vida, de cidade, de rotina. Confesso que a decisão de aceitar não só passou pelo crivo "ascenção profissional", como também pelo crivo "esqueça um amor". Eu já estava sofrendo há um ano e precisava me libertar daquele sentimento e como eu tinha consciência disso, acabei enxergando uma oportunidade dentro da oportunidade. Tive muito receio pois, por menor que seja a mudança, ela muitas vezes amedronta. Mas ok, vim, vi e venci. Literalmente.
De acordo com as normas da empresa, o funcionário promovido, removido, realocado precisa passar, pelo menos, um ano na nova estadia. Passado esse um ano, o funcionário está "livre" pra procurar outros rumos. Acabei de completar esse castigo (mentira, aqui nem é tão ruim assim) e eis que surge a mini-vaga dos meus sonhos.
O núcleo dessa vaga é o que mais se aproxima da minha formação. Fiz um curso por "gostar". Sou formada e quase pós-graduada numa coisa e trabalho com "nada-a-ver-com-isso". Por isso a vaga é a dos meus sonhos. Estou nessa empresa desde o primeiro ano de faculdade, deixei a vida me levar, fui ficando, me formei e não abandonei o emprego, como muitas amigas fizeram. Fui me aperfeiçoando no que faço e estou aqui. Acabei me tornando o que hoje eu sou. Nada mal! Afinal, sem modéstia, sou muito boa no que faço.
Mas me pergunto: será que se eu fizesse o que eu gosto eu não seria melhor ainda? Sei que a vida não é assim e é por essas e outras que tento fazer sempre o melhor, onde quer que esteja e o que quer que esteja fazendo. Porém, não me imagino fazendo isso sempre e pra sempre. Quero ter outras oportunidades de fazer o que também sei. E, justamente por isso, me inscrevi pra concorrrer à tal mini-vaga.
Consegui fazer um bom trabalho nesse um ano. Atingimos resultados ótimos, somos vistos por órgãos superiores, somos destaques. Formamos uma ótima equipe e isso é fundamental para atingirmos o que esperam de nós. Tenho ótimos colaboradores e uma chefia excelente. Ela confia muito em mim e me vê como uma "ela" em potencial. Sempre afirma seja pra quem for "quando eu for embora, vou te levar comigo, nem penso em te deixar". Ou seja "continua trabalhando pra mim, resolvendo o que todo mundo adia, me dando suporte, afinal você é ótima nisso".
Sim, mas hoje contei a ela que me inscrevi na seleção. Ela prontamente se decepcionou comigo: "não acredito! Você quer deixar de ser gerência média pra se tornar analista? Isso vai atrapalhar a sua carreira mais tarde. Você pode ser gerente em pouco tempo, tem potencial pra isso. Eu não tô nem acreditando". Saí de lá me sentindo a última das "nem-sei-o-quê".
Como eu posso querer menos do que posso? Acho que foi isso que ela disse. E isso é porque eu apenas me inscrevi. Imagina se eu for selecionada e aceitar a mini-vaga. Por isso que tenho aqui tratado a vaga como "mini-vaga".
Sempre vivi as expectativas dos outros. Sempre me preocupei em agradar, em ser o que as pessoas gostariam que eu fosse. Mas acho que já chega, né? Já sofri tanto por isso. Doeu muito no meu peito decepcionar uma pessoa que me ensinou tanta coisa. Ver a reprovação nos olhos dela me deixou super mal. Mas caso role a seleção e caso eu seja a escolhida, sinto muito. Vou deixar de ser gerência, sim! E com muita alegria no coração.
criado por rnalcantara
22:43 — Arquivado em: 

Olá.obrigada pela visita em meu blog.Como o descobriu?
…ah…e siga seus sonhos! boa sorte.
Comentário por Fabiana Borges — 12 12UTC julho 12UTC 2008 @ 13:28