14/7/08
Desabafo final
Lá, 14 de julho de 2006.
Dia totalmente atípico entre nós dois. Frases incompletas, horários antecipados, dúvidas e uma surpresa nem tão surpreendente assim. Abri meus olhos e propositalmente fiz meu mundo desabar. Motivos eu tive, e muitos. E acumulados. Não dormi. Vi amanhecer o dia e esperei pra falar com ele, já que ele não me atendeu à noite. Ele ligou e, mais uma vez, quis me convencer de que eu estava enganada. Chateada, não acreditei e decidi pôr um fim naquilo que eu já sabia, mas não queria acreditar, que não teria futuro. Meus sentimentos se confundiram com as palavras dele. A culpa me acompanhou durante o dia inteiro. O arrependimento chegou a ser meu companheiro, mas eu, no fundo, sabia que era o melhor. "Você vai se arrepender e o tempo vai te mostrar que você está errada": frase-mantra dos meus dias. Dia e noite no tormento dessa frase. E se eu estiver enganada? Se ele tiver razão e daqui há uma semana eu descobrir que eu fui uma burra? Durante duas semanas esperei o telefone tocar. O tempo necessário pra ele me procurar. E nada! Na segunda sexta-feira após, fui ao show que iríamos juntos, acompanhada dos nossos amigos. Todos viram. Eu sofri, por instantes, do que a psicologia poderia explicar como uma provável cegueira psicológica, inconsciente. Eu simplesmente não quis ver. Não quis ver que o tempo já estava me mostrando, como ele disse que aconteceria. A diferença era que o tempo (duas semanas) me mostrava, que eu estava certa. Tudo o que eu não queria, estar certa! Mas dessa vez eu não quis ver. Eu fechei meus olhos. Mas o tempo foi persistente e queria, de uma vez por todas, me mostrar. E na terça-feira seguinte eu enxerguei. Através dos olhos de outra pessoa, eu fui obrigada a enxergar. Ver que daquele momento em diante todo o amor que eu sentia não significava nada. Dois meses depois do fatídico dia 14, mais uma mostra do "tempo". Aquele mesmo tempo a que ele se referiu. E agora uma mostra de que além de certa, eu "estava" burra. O noivado se concretizou. Dez meses depois do dia 14, o casamento e a gravidez. A família estaria completa e feliz. E eu? Remoendo uma dor. Uma dor que nunca foi extravasada. Nunca foi esquecida. Nunca tive o prazer de vomitar. Vomitar tudo que senti. Mas o tempo…o tempo me mostrou. Exatamente como ele profetizou.
Aqui, 14 de julho de 2008.
Dois anos depois, eu vejo exatamente tudo o que ele disse que o tempo me mostraria. Ele apenas confundiu pensando(?) que eu estaria errada (?). Durante um longo período sofri e me perguntei: Por que não eu? Mais uma vez o tempo foi meu aliado. Demorei pra perceber. A ansiedade atrapalhou, mas hoje eu sei a resposta. Porque sem ele eu me tornei melhor. Sem ele eu cresci. Sem ele eu sofri, mas aprendi. Aprendi que amar não é via de mão única. Amar é mais. Eu posso mais. Eu mereço muito mais. Mais que migalhas, mais que desculpas. Nós não seríamos tudo o que deveríamos ser se ainda estivéssemos juntos. Eu amei demais, sofri demais. Ele ainda é referência. Agora, do que eu não quero mais. Ele será inesquecível. Não somente pela dor, pelo silêncio, pelo amor que eu senti, mas também pelo vômito entalado. Pelo amor desperdiçado, esnobado, dispensado. Pelos sorrisos contidos, pelos planos desfeitos (meus), pelo fim não resolvido ou mal resolvido (pra mim). Pelas lágrimas de dor e de felicidade, viagens e aventuras, momentos de prazer. Pelo que eu fui ao lado dele. Enfim, por ele ter sido objeto do meu amor. Mas o tempo me mostrou que foi o melhor, apesar de pior. Mostrou que eu fiz a escolha certa. Escolhi a mim! E o vômito? Engoli. Escolhi não o atrapalhar com o de mais amargo que eu tinha pra lhe oferecer. Assim, ele jamais poderá dizer que, quando acabou, eu fui pedra no caminho. E hoje eu sei que essa foi mais uma escolha certa.
criado por rnalcantara
23:49 — Arquivado em: 

Entendo o que vc passou, estou numa situação semelhante, não por uma traição, mas, por separação, crise.
Parabéns por ter se saido tão bem.
Espero me sair tb.
Comentário por Tássia — 17 17UTC julho 17UTC 2008 @ 13:26
…e quase sempre sem eles, a gente se sai melhor do se tivesse sido ao contrário.Não há
” vingança” melhor..;)
Comentário por Fabiana Borges — 21 21UTC julho 21UTC 2008 @ 14:32
Rê, acabei de ler seu comentário lá no blog e vim deixar um recadinho, e aà vi que, apesar de ter sido super relapsa com meus blogs preferidos nas últimas semanas, coincidentemente escrevemos sobre a mesma coisa: O EX (não um ex qualquer) que decidiu estraçalhar a gente depois de receber todo amor do mundo. Pelo que li aqui, seu caso foi muito, muito pior. O meu às vezes parece bobeira pros outros, mas pimenta no olho dos outros nunca arde, né? Força. A gente sempre tem força pra superar essas pessoas que só merecem nosso desprezo.
Quanto ao Colega de Trabalho… Com 2 pessoas perguntando, me senti tentada a publicar uma coisa dando notÃcias recentes dele!
Beijinhos
Comentário por Camila Hardt — 22 22UTC julho 22UTC 2008 @ 0:34