16/8/08
Sobre ele, que eu AMO tanto!
Durante algum tempo eu fiz terapia. Fui procurar só pra "ver como é que é". Depois de um tempinho descobri que não era só isso. Algumas coisas foram resolvidas, outras ficaram pendentes porque o "buraco" era mais embaixo e não consegui chegar "ao fundo do poço". É mais ou menos assim que eu vejo a terapia.
O trabalho da terapia era esse: ir ao encontro do sofrimento. A terapeuta estava lá só pra orientar onde estava o fundo do poço e cabia a mim a tarefa mais árdua. Ir ao encontro dele. E isso não é qualquer um que consegue. Depois que se encontra e percebe onde está a "falha" as coisas ficam mais fáceis e a sensação que eu tive era de que, ao ter me afundado, consegui pisar bem em cima de uma mola e voltei de lá mais rápido e com mais força.
Uma das questões mais trabalhosas pra ela (terapeuta), e mais sofridas pra mim, foi me fazer perceber que havia uma "falha" na minha relação com o meu pai e de lá surgia meia dúzia dos meus demais problemas. Segundo ela, era por lá que deveríamos começar.
Eu tinha muita dificuldade de relacionamento com o meu pai. Admitir que "aquele homem" era meu pai era cruel. Tantas vezes me peguei sentindo inveja das minhas amigas, pois eu acreditava que o pai delas era bem melhor que o meu. Quando eu via alguma amiga abraçar seu pai, dava uma vontade tão grande de chorar porque na mesma hora eu lembrava que eu só abraçava o meu pai duas ou, no máximo, quatro vezes por ano. As duas vezes eram obrigatórias. Uma no natal e outra no ano novo. Já as outras dependia se no dia do nosso aniversário a gente estivesse se falando ou não. Até no dias dos pais eu não tinha certeza que o abraço ia rolar.
Muitas horas de terapia, lágrimas no divã e algumas descobertas depois dessa fase, eu percebi onde estava a falha. Em mim. Eu me comportava como mulher e não como filha. Do momento em que eu descobri qual era o meu lugar, descobri também quem era "aquele homem".
Eu percebi que havia uma falha, inclusive, de comunicação entre nós. Percebi que meu pai esperava de mim a mesma coisa que eu tanto esperava dele. Atenção. Ele não conseguia me dar o que eu tanto queria pelo mesmo motivo que eu não conseguia dar-lhe o que ele também merecia. A gente não se encontrava. Não se abria um pro outro. Quando eu abandonei a "razão" (que, aliás, eu nunca tive), e vi que naquele rosto havia um sorriso pronto pra mim a qualquer momento, em qualquer situação, eu pude perceber quanto tempo eu perdi sentindo inveja das minhas amigas. Afinal, o melhor pai estava ali debaixo do mesmo teto que eu. E a burra aqui procurando sabe Deus onde.
Hoje, eu não perco uma oportunidade de cheirar, abraçar, fazer carinho nesse homem.
E pensar que eu tantas vezes imaginei ser tão diferente dele, hoje percebo nas minhas atitudes, pensamentos, gostos, frescuras e brincadeiras o quão eu sou ele. E o melhor de tudo: com muito orgulho!
criado por rnalcantara
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