Momentos & Desabafos

“Se você vomita, azeda tudo em volta. Se você engole, azeda tudo dentro” - J.A. Gaiarsa.

29/10/08

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"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.

Ambos existem, cada um como é."

Fernando Pessoa

criado por rnalcantara    22:38 — Arquivado em: Sem categoria

26/10/08

Um brinde à Democracia!?

 

O resultado das eleições por aqui já era de se imaginar, apesar de ainda ser difícil de acreditar. Não consigo imaginar como uma pessoa com o mínimo de discernimento possível conseguiu votar nesse candidato depois de assistir ao debate da última sexta-feira. Mas o povo não assite esse tipo de programa. E se assistiu, se ateve à única proposta do novo prefeito: aumento do valor dos bolsas-qualquer-coisa. Pra quem adora fazer filho, mas não suporta a idéia de trabalhar, essa proposta é a mão na roda.

 

Como alguém, com o mínimo de discernimento, conseguiu votar num cara que disse que na nossa cidade não existe turismo; que gerar emprego e renda é muito difícil e é um trabalho mais no âmbito do governo estadual; que não apresentou uma proposta de governo, exceto sobre os bolsas-qualquer-coisa, e quando questionado sobre o que faria em relação a qualquer assunto em pauta se limitava a dizer eu vou fazer o melhor, eu vou fazer o possível para melhorar a nossa cidade e acabava não dizendo porcaria nenhuma. Aliás, porcaria foi a única coisa que ele conseguiu expressar.

 

A massa não tem memória. Apenas se preocupa com a gratidão que deve ao candidato que sempre "ajuda", que distribui rancho, telha. Aquele que compra essa gratidão. E só há uma maneira de compensar essa gratidão: o voto. E é isso que ele busca sempre. E conseguiu mais uma vez.

 

O outro candidato não foi em quem eu votei no primeiro turno, mas certamente era o candidato mais bem preparado neste segundo turno. Candidato à reeleição. Um político que abriu e expôs as contas da prefeitura, que fez uma campanha limpa e sem baixaria (mola mestra do seu concorrente), que entregará uma prefeitura redondinha para o sangue-sunga-mor do estado, mas que pecou em não enfatizar os programas assistencialistas. Na minha reles opinião só pode ser isso que aconteceu.  Ele teve alto índice de rejeição e merecia esse índice por alguns tropeços na prefeitura, mas entre as opções, ele certamente era a melhor. Não pra mim ou pros pobres ou pra massa ou pra elite, mas para a cidade como um todo e pros cofres públicos, principalmente. Consequentemente…

 

Hoje, eu não sei se eu estou mais preocupada com o mandato do novo prefeito ou com o mandato do seu vice que, daqui a dois anos, virará nosso prefeito. Pois, sabemos que é essa a ambição do nosso ilustre* novo prefeito. Aí sim, a máquina estará entregue à máfia.

 

Enquanto isso, a gente é obrigado a ouvir dos seus ilustres eleitores: Ele rouba, mas ele faz. Mas, pensando pelo lado bom da coisa: é melhor ter que ouvir isso a ser surdo.

E viva a ignorância!

 

*palavra que o nosso "ilustre" novo prefeito decorou para o debate.

 

criado por rnalcantara    23:34 — Arquivado em: Sem categoria

25/10/08

“Eu vejo flores em você…”

 

 

Ela o notou desde a primeira vez. Ele não tinha retribuído o olhar. Dias se passaram e eles tornaram a se esbarrar. Distraída, ela não percebeu, mas ele também a notou e a procurou. Depois de tê-la encontrado novamente fez-se presente em poucas palavras, saudações. Ela passou a prestar mais atenção e percebeu que os encontros não eram tão casuais.

 

Ela passou a esperá-lo. Ele sempre aparecia na mesma hora. Ele sabia que ela estaria lá. E quando não havia mais motivo para que ele voltasse àquele lugar, ainda assim, ele apareceu. Na mesma hora. Um olhar discreto. Ela entendeu. Quando ele se aproximou, fez questão de lhe dizer o motivo do seu retorno. Um sorriso encabulado. As mãos dela estavam trêmulas. O coração acelerado. Ela tentou esconder. Fingiu não acreditar. Assustada perguntou a si mesmo o que seria. Mas no fundo ela sabia. Era aquela sensação que há muito tempo ela não sentia.

 

criado por rnalcantara    2:18 — Arquivado em: Sem categoria

20/10/08

Picanha*

 

 

 

Desde que eu vim morar nessa cidade a balança não tem me perdoado. Eu bem que tento ser amiguinha dela, mas o estresse, o dia-a-dia tumultuado, a falta de uma academia, a falta do que fazer e algumas pequenas reuniões extraordinárias fora do ambiente de trabalho acompanhados da falta de namorado, fizeram com que em 1 ano eu acumulasse 5 kilos. Cinco-malditos-kilos.

 

Eu sempre pratiquei exercícios enquanto morava na capital, frequentava academia, mas quando cheguei aqui comecei a trabalhar muito tentando colocar as coisas nos eixos e acabei me descuidando das atividades físicas. Uma desculpinha ali, outra acolá. Um dia estava cansada, no outro também. A internet que vicia. A pseudo-academia que não ajuda. A trilha sonora da pseudo-academia que machuca os ouvidos.

 

Mas já chega! Preciso criar vergonha e começar a me movimentar, comer direito, esquecer o brigadeiro no fim da tarde e eliminar os tais malditos 5. Afinal, dezembro tá chegando e com ele todas aquelas festinhas e confraternizações impossíveis de resistir. E aí, o que hoje é sobrepeso vai se tornar fácil fácil em obesidade depois do natal. E mais, se eu não me mexer agora, o carnaval também chega e eu, de tão gorda, não vou conseguir subir a ladeira do circuito campo grande. Ai, isso nem pensar! A luta começou hoje. Haja força de vontade!

 

PS: E eu penso cá com os meus botões…emagrecer poderia ser tão prazeroso quanto engordar.

 

*Gostosa, mas goooorda.

 

criado por rnalcantara    22:02 — Arquivado em: Sem categoria

18/10/08

So happy

 

 

 

*"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez e nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia é só mais agradável. Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar cada vez mais pela vida."

*Recebi esse texto por email e não sei quem é o autor (a).

Resolvi publicar porque estou apaixonada pela vida. Aprendi que é possível ser feliz mesmo com a falta de algumas coisas, com as falhas e lacunas. Os sonhos continuam e, enquanto o coração não bate mais forte por alguém, vou vivendo e descobrindo alegria em tudo que eu faço. A tristeza aparece de vez em quando, mas a solidão já não é mais um tormento então fica fácil mandá-la embora. Aprendi até a aproveitar esse vazio. Parei de me comparar com as minhas amigas casadas, enroladas, namoradas. Parei de me questionar o que tem de errado comigo, por que comigo não deu certo (até agora!). Parei de me angustiar e tenho controlado a minha ansiedade. Teoricamente é tudo muito fácil, mas o esforço é grande. Assim, vou vivendo a melhor fase da minha vida. Mais madura, mais centrada e cheia de esperanças de encontrar meu príncipe encantado…mas sem pressa e sem cobrança.

criado por rnalcantara    21:27 — Arquivado em: Sem categoria

16/10/08

Pérola

 

Uma das coisas que me fazem muito mal é discutir com alguém medíocre. Passada a raiva, indignação ou qualquer coisa que tenha culminado em discussão, eu me sinto péssima porque acredito que há pessoas que simplesmente são. Não tem como explicar. A limitação impede essas pessoas do discernimento. Pessoas que não conseguem escutar, que antes de saberem se são capazes já se dizem incapazes. E quando discuto com alguém assim, acabo remoendo um sentimento escroto. A famosa "pérola a porcos". Tenho aprendido muito sobre controle emocional e quando percebo que pequei justamente nesse ponto não consigo aceitar. Pessoas inteligentes conseguem evitar situações de confronto com pessoas medíocres porque sabem  que não vale a pena. Eu estava engolindo muito sapo dessa criatura, mas chega uma hora que não cabe fingir que não está vendo. E como não se pode conversar com essas pessoas sem que elas apelem, acabei caindo no jogo. E agora estou aqui me sentindo a mais burra das criaturas por ter me "igualado" a ela, por ter dado pérola, por não ter conseguido me controlar, por ter entrado no "jogo do medíocre". E o pior, por não ter obtido resultado algum com isso porque, como diria a minha vózinha, pau que nasce torto…

 

criado por rnalcantara    0:30 — Arquivado em: Sem categoria

9/10/08

“Que país é esse?”

 

Estresse puro!

 

Há pouca coisa no mundo pior do que a falta de educação. Isso se houver algo pior.  Aquilo que permite as pessoas se sentirem os únicos seres vivos no mundo, a fazerem o que bem entendem e a esquecerem os direitos das outras pessoas.

 

Aquilo que faz com que as pessoas joguem lixo no chão, andem na contra mão, deixem o celular ligado e em alto volume num local inapropriado, finjam que não estão vendo um idoso na fila, parem na faixa de pedestres, ultrapassem o sinal vermelho, estacionem nas calçadas ou bem no meio da sua garagem e tantas outras coisas. Aquilo que me deixa revoltada e me faz pensar que porcaria de povo é esse? Sei que a palavra ‘povo’ é por si generalista, mas como definir se a maioria das pessoas sempre está à procura de "se dar bem sem olhar a quem"?

 

Caramba, é difícil aceitar que o seu direito acaba quando o do outro começa? Por que é sempre possível resolver com o "jeitinho brasileiro", furar fila, estacionar em local proibido? Por que em benefício do próprio umbigo qualquer atitude pode ser tomada? Talvez seja porque a ignorância esteja lado-a-lado e de mãos dadas com a falta de educação! 

 

E eu tento ter paciência, mas nem sempre consigo!

 

criado por rnalcantara    23:59 — Arquivado em: Sem categoria

6/10/08

Mudaram as estações…

 

Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre sem saber
que o pra sempre
sempre acaba

Cássia Eller

 

Eu sempre fui de poucos amigos. Poucos e ótimos amigos. Pessoas tão próximas de mim que acabavam se tornando próximas umas das outras. Algumas delas são amigos de longa data, pelos quais nutro um carinho mais que especial. Cada um guarda consigo um pouco de mim, outros bem mais, mas as relações não são iguais. Pra alguns posso ligar a qualquer hora, falar qualquer coisa, chorar se tiver a fim. Com outros a relação é um pouco menos íntima, mais leve, casual.

 

Tenho (?) uma amiga de infância com quem convivi mais da metade da minha idade, com quem compartilhava tudo e pra quem eu não guardava segredos ou media esforços para vê-la feliz. Uma amiga-irmã. A opinião dela era ímpar na minha vida.Na minha adolescência eu era mais medrosa, insegura, sempre precisei escutar as pessoas e ela me dava essa segurança.

 

Ela sempre foi aparentemente bem mais centrada, mais moralista, cheia de conselhos que deveriam ser seguidos à risca. Taurina, teimosa e dona da verdade. Sempre tinha o conselho ideal para qualquer situação, não admitia deslizes, falava o que pensava e acreditava sempre estar com a razão. Não gostava muito de ouvir opiniões, muito menos se contrárias as delas. Costumava dizer que não sabia perder. Teve poucas paixões e nenhuma delas despertou nela a "loucura". Até se envolver com uma pessoa mais velha, mais madura e…comprometida.

 

No início era só "uma aventura". E ‘desdaí’ a minha opinião era a mesma que tenho hoje. Penso que as coisas só acontecem quando você se permite. Sempre tem aquele momento em que você ainda pode decidir: paro ou continuo. Mas ela sempre tinha uma desculpa…a aventura, o viver o momento, o não saber perder, o não conseguir…

Um dia ela me disse que estava cansada, que tinha terminado, iria fazer intercâmbio e tentar esquecer essa história. Nesse momento, eu tive a infeliz idéia, mesmo sabendo que ela não gostava de receber "conselhos", de dar minha opinião. Perguntei-lhe se era essa a vida que ela queria pra ela, viver escondida, não poder ir ao cinema, a um show, andar de mãos dadas. Mas o pior mesmo foi quando eu disse que achava que não era isso que ela queria, que pelo que eu a conhecia eu seria capaz de dizer o que se passava no coração dela e que eu achava que ela não era feliz. Se eu tivesse ficado calada…

 

A nossa relação mudou desde esse momento. Na hora ela respondeu que era feliz, que viveria aquele momento sem se importar com o futuro. Senti raiva e não consegui me conter, disse-lhe que o discurso dela tinha mudado em 20 segundos, que eu não conseguia entender. 

 

Dias de silêncio se passaram. Eu me senti muito mal, sozinha, vazia. Faltava ela na minha vida. Faltava compartilhar as minhas alegrias e tristezas também. Depois disso, ela viajou com ele pra Disney e eu só soube quando ela já estava de volta. Aliás, ela voltou terrivelmente apaixonada. A gente ainda se encontrou umas duas ou três vezes depois da viagem. Depois, a rotina dela  voltou a ser a mesma, mas as promessas e as esperanças aumentaram. E os momentos de solidão também, e na mesma proporção. 

 

O que eu sei é que nessa história toda a única coisa que mudou mesmo foi a nossa amizade. Os telefonemas que eram praticamente diários, se tornaram escassos. Duas, três vezes ao mês, quem sabe. Não sei da vida dela e a última vez que liguei pra contar uma coisa legal que tinha acontecido, ela ficou de ligar depois porque estava muito ocupada. Resultado: já nem sei o que eu queria compartilhar com ela naquele dia.

 

Nesse sábado nos encontramos no shopping. Ela sozinha e eu estava com uma outra amiga. Foi estranho o encontro. No domingo, ela ligou e a gente foi jantar junto. Duas estranhas, desconhecidas. O silêncio entre as falas, que antes era confortante, foi aterrorizante. Não sabia como me comportar, como agir. A sorte é que não estávamos sozinhas. As outras amigas tentaram, mas não conseguimos disfarçar o desconforto. Senti e ainda sinto muito a falta dela, mas, confesso, que senti um alívio enorme quando a deixei em casa. A noite e o jantar tinham acabado. E a nossa amizade? Quem sabe…

 

criado por rnalcantara    22:37 — Arquivado em: Sem categoria
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