Momentos & Desabafos

“Se você vomita, azeda tudo em volta. Se você engole, azeda tudo dentro” - J.A. Gaiarsa.

6/10/08

Mudaram as estações…

 

Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre sem saber
que o pra sempre
sempre acaba

Cássia Eller

 

Eu sempre fui de poucos amigos. Poucos e ótimos amigos. Pessoas tão próximas de mim que acabavam se tornando próximas umas das outras. Algumas delas são amigos de longa data, pelos quais nutro um carinho mais que especial. Cada um guarda consigo um pouco de mim, outros bem mais, mas as relações não são iguais. Pra alguns posso ligar a qualquer hora, falar qualquer coisa, chorar se tiver a fim. Com outros a relação é um pouco menos íntima, mais leve, casual.

 

Tenho (?) uma amiga de infância com quem convivi mais da metade da minha idade, com quem compartilhava tudo e pra quem eu não guardava segredos ou media esforços para vê-la feliz. Uma amiga-irmã. A opinião dela era ímpar na minha vida.Na minha adolescência eu era mais medrosa, insegura, sempre precisei escutar as pessoas e ela me dava essa segurança.

 

Ela sempre foi aparentemente bem mais centrada, mais moralista, cheia de conselhos que deveriam ser seguidos à risca. Taurina, teimosa e dona da verdade. Sempre tinha o conselho ideal para qualquer situação, não admitia deslizes, falava o que pensava e acreditava sempre estar com a razão. Não gostava muito de ouvir opiniões, muito menos se contrárias as delas. Costumava dizer que não sabia perder. Teve poucas paixões e nenhuma delas despertou nela a "loucura". Até se envolver com uma pessoa mais velha, mais madura e…comprometida.

 

No início era só "uma aventura". E ‘desdaí’ a minha opinião era a mesma que tenho hoje. Penso que as coisas só acontecem quando você se permite. Sempre tem aquele momento em que você ainda pode decidir: paro ou continuo. Mas ela sempre tinha uma desculpa…a aventura, o viver o momento, o não saber perder, o não conseguir…

Um dia ela me disse que estava cansada, que tinha terminado, iria fazer intercâmbio e tentar esquecer essa história. Nesse momento, eu tive a infeliz idéia, mesmo sabendo que ela não gostava de receber "conselhos", de dar minha opinião. Perguntei-lhe se era essa a vida que ela queria pra ela, viver escondida, não poder ir ao cinema, a um show, andar de mãos dadas. Mas o pior mesmo foi quando eu disse que achava que não era isso que ela queria, que pelo que eu a conhecia eu seria capaz de dizer o que se passava no coração dela e que eu achava que ela não era feliz. Se eu tivesse ficado calada…

 

A nossa relação mudou desde esse momento. Na hora ela respondeu que era feliz, que viveria aquele momento sem se importar com o futuro. Senti raiva e não consegui me conter, disse-lhe que o discurso dela tinha mudado em 20 segundos, que eu não conseguia entender. 

 

Dias de silêncio se passaram. Eu me senti muito mal, sozinha, vazia. Faltava ela na minha vida. Faltava compartilhar as minhas alegrias e tristezas também. Depois disso, ela viajou com ele pra Disney e eu só soube quando ela já estava de volta. Aliás, ela voltou terrivelmente apaixonada. A gente ainda se encontrou umas duas ou três vezes depois da viagem. Depois, a rotina dela  voltou a ser a mesma, mas as promessas e as esperanças aumentaram. E os momentos de solidão também, e na mesma proporção. 

 

O que eu sei é que nessa história toda a única coisa que mudou mesmo foi a nossa amizade. Os telefonemas que eram praticamente diários, se tornaram escassos. Duas, três vezes ao mês, quem sabe. Não sei da vida dela e a última vez que liguei pra contar uma coisa legal que tinha acontecido, ela ficou de ligar depois porque estava muito ocupada. Resultado: já nem sei o que eu queria compartilhar com ela naquele dia.

 

Nesse sábado nos encontramos no shopping. Ela sozinha e eu estava com uma outra amiga. Foi estranho o encontro. No domingo, ela ligou e a gente foi jantar junto. Duas estranhas, desconhecidas. O silêncio entre as falas, que antes era confortante, foi aterrorizante. Não sabia como me comportar, como agir. A sorte é que não estávamos sozinhas. As outras amigas tentaram, mas não conseguimos disfarçar o desconforto. Senti e ainda sinto muito a falta dela, mas, confesso, que senti um alívio enorme quando a deixei em casa. A noite e o jantar tinham acabado. E a nossa amizade? Quem sabe…

 

criado por rnalcantara    22:37 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. tentando pela milésima vez comentar hehehe

    Comentário por Fabiana — 9 09UTC outubro 09UTC 2008 @ 20:51

  2. heuehe.conseguiiii!.mas ja fiz o coment no post abaixo tá?

    bjosssssss

    Comentário por Fabiana Borges — 9 09UTC outubro 09UTC 2008 @ 20:52

  3. Sabe que eu também Rê?! Poucos e bons, eternos tb. Saudade de suas visitas. Tentei comentar no texto que vc escreveu sobre o vazio que a gente sempre chega em casa depois das baladas surradas, mas não consegui, me identifiquei muito. É por isso que tenho optado por uma boa musica, um bom filme, livro, com a minha companhia propria.

    UM BEIJO

    Comentário por Luana — 10 10UTC outubro 10UTC 2008 @ 20:59

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